segunda-feira, 6 de maio de 2013

"Hoje, 7 graus na capital paranaense"

O primeiro inverno em Curitiba a gente não esquece. Entramos de mala-e-cuia na capital mais fria do país no final de 1999. E quando chegamos em maio houve boatos de será o pior inverno desde 1975. E a gente ainda não sabia que os jornais do Paraná sempre falam em meados de maio que este ano será o pior inverno desde 1975. Estávamos assustados, de verdade.

Largo da Ordem em 1975.
Praça Santos Andrade e prédio da UFPR em 1975.

E num belo dia amanhecemos com temperatura de um dígito. Obviamente, nessa condição quase sub-humana meu pai foi me levar na faculdade. E um ritual se estabeleceu quando observamos um termômetro de rua marcando sete graus. Eu disse empostando a voz como um radialista: “agora, 7ºC na capital paranaense”. E rimos dentro do carro daquela temperatura congelante, numa auto-ironia pra enfrentar os pés gelados e as orelhas trincando. Repetimos essa frase por muitos e muitos anos quando avistávamos uma temperatura atroz. O recorde foi -2,5ºC, num exagerado termômetro exposto ao vento.

Hoje acordei sem camisa e vesti apenas uma blusa pra enfrentar os sete graus de Curitiba. Acostumei, acho. Mas quando avistei um termômetro, disse em voz alta, sozinho no carro, lembrando das nossas frases: “agora, 7ºC na capital paranaense”.

Saudade.

♪♫“Duvido alguém que não chore pela dor de uma saudade. Quero ver quem que não chora quando ama de verdade.” ♪♫ Trecho de “Rio de Lágrimas", autoria de Tião Carreiro, Piraci e Lourival dos Santos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Dia 2: Toledo, quando encontramos a Idade Média.

textos das aventuras pelo velho continente, dia a dia, cidade por cidade.
pra não esquecer dos detalhes e quem sabe ser útil para viajantes.


Em nosso segundo dia no velho continente, fizemos um bate-volta até Toledo, cidadezinha medieval absolutamente encantadora que dista apenas 40 minutos (pouco mais de 70km) de Madrid em um trem super confortável. Toledo mantém preservada a “cidade murada” (centro antigo) aos pés de uma fortaleza do século III (Alcázar de Toledo) e cercada de três lados por uma curva do Rio Tejo. Toledo foi capital da Espanha durante o período visigodo (séc VI) e conhecida como a “cidade das três culturas” (séc VIII), por abrigar comunidades de judeus, muçulmanos e cristãos.

 
As colinas às margens do Rio Tejo.

Pois bem, acordamos bem cedo no hotel de Madrid e vazamos pra Atocha, a principal estação de trens da capital espanhola. Obviamente sofremos um pouco pra encontrar qual o local de embarque para outros municípios (por isso foi bom chegar com antecedência), mas o posto de informações turísticas da Renfe nos salvou. Depois da conversa em portunhol descobrimos várias placas indicativas. Dentro do trem, a sensação é de estar no futuro hahaha confortável e bem organizado, fica nítido que em 50 anos não teremos nada parecido no nosso Brasilzão véio-de-guerra. A viagem é mesmo rápida, e a paisagem ainda ajuda a passar o tempo. Chegamos na estação de Toledo debaixo de chuva fina ladeados por uma multidão de orientais.

Estação Atocha em Madrid, indo pra Toledo.

Um bus turístico e alguns táxis estavam na porta para atrair os turistas mais preguiçosos e ricos, mas eu e Juju pesquisamos e sabíamos que um ônibus de linha por €2 também nos deixaria na praça principal do centro histórico. Quando o ônibus atravessa a ponte sobre o Rio Tejo nos levando à parte antiga, dá pra ver perfeitamente o muro acompanhando a geografia acidentada da montanha com a fortaleza na parte mais alta. Por um momento tive a sensação de estar nos quadrinhos do Groo, o Errante hahaha

A "cidade murada", com a fortaleza no alto.


Desembarcamos na praça Zocodóver, marco central da cidade velha, onde está o mercado Zocodóver. Ficamos uns bons minutos apenas sem saber pra que lado ir. Tínhamos um mapa pequeno e desbotado impresso no Brasil com o nome dos lugares a visitar e esperávamos um mapa grátis da cidade, porém na praça os feirantes queriam faturar uns trocados em cima dos turistas e obviamente não gastamos com um mero mapinha e vazamos sem rumo pelas ruelas históricas da cidade.

Primeiro fomos ver o palácio fortificado Alcázar de Toledo, que era mais fácil de achar, mas tinha que pagar pra entrar e ficamos de fora apreciando a MORRUDEZ do local. Caminhamos até o mirante, na ponta da montanha, onde dava pra ver lá embaixo o Rio Tejo e do outro lado a Academia de Infantaria, formando um visual apenas do caraleo. Ignoramos o frio próximo de zero grau e o horário (nem 10h da manhã) pra saborear um chopp e apreciar a vista.

chopp maroto avistando a Academia da Infantaria de Toledo.


Completamente perdidos, caminhavámos de volta à Praça Zocodover observando as vitrines das lojas de espadas (!) quando observamos a torre da Catedral de Toledo entre as ruas (foto aqui). Coisa linda. Como não sabíamos pra onde ir, rumamos em direção à torre. Encontramos pelo caminho uma paróquia chamada San Miguel. Massa, né. Na sequência um mercado de peixes gigante e de repente surge em nossa frente aquela construção portentosa, estupenda, quase voluptuosa que a igreja católica costuma fazer. A lindíssima Catedral de Toledo, igreja primaz da Espanha. Entramos pela porta lateral (porta dos Leões), onde os moradores da cidade fazem orações e não precisa pagar, então ficamos num cercadinho minúsculo, olhamos a igreja por dentro até o guarda pedir pra gente sair.

Saímos de lá e começamos a caminhar ao léu. Pra ver no que dá. Pra contemplar mesmo, pirar errado vendo tudo aquilo. Pois Toledo era conhecida por sua tolerância religiosa e a mistura de culturas nos permite ver vários tipos de sinagogas, mesquitas e igrejas. E fica o registro de uma curiosidade histórica: quando os muçulmanos e judeus foram expulsos da cidade, os templos não foram destruídos e os cristãos começaram a usar as mesquitas e sinagogas como igrejas (mas não cheguei a ver cruz fincada em abóbada hahaha).


Conseguimos um mapa!
Em uma parte da cidade que não sabemos onde - estávamos perdidos -, finalmente encontramos um ponto de informações turísticas e conseguimos alguns mapas grátis. Peguei os mapas e disse aí fechô, lacrô, é nóis. Saímos de lá e fomos ver a Igreja de San Tomé, onde a Juju diz que viu o famoso quadro El entierro del Conde de Orgaz, do pintor radicado espanhol El Greco. Infelizmente eu não percebi tal obra haha. Depois entramos em outra igrejinha que deu até medo, de tão sombria e caindo aos pedaços. Apenas não sei qual o nome dessa igreja. Chorando de sede e com a fome começando a apertar, compramos fanta laranja num mercadinho com duas crianças orientais pulando em cima do freezer de sorvetes. hahaha Bizarro!

Já era do almoço e, aproveitando o tamanico da cidade murada, voltamos à Praça Zocodóver. Não conseguimos achar um restaurante decente (mas tem sim, nós é que bobeamos) e comemos num café meio mequetrefe. Logo depois voltamos a caminhar e desbravar os becos de Toledo. Encontramos o Palacio Arzobispal de Toledo que, governado pelas três culturas da cidade em diferentes épocas, foi crescendo e sofrendo interferência na arquitetura de cada um dos povos e é uma mistureba interessante.

Juju e o arco do Palacio Arzobispal.

Já de olho no relógio pra não perder o trem de volta à Madrid, rumamos para ver a Ponte de Alcantara, bem perto da fortaleza. Então cortamos a cidade murada pela Calle Comercio, cheia de lojas de todas as grandes marcas do mundo, até a praça Zocodóver e descemos a colina às margens do Rio Tejo. Do outro lado da ponte, na margem esquerda do Rio Tejo e já fora do centro histórico está o Castelo de San Servando, que já foi fortaleza mas hoje é um albergue da juventude e fica ao lado da Academia de Infantaria que citei durante o texto. Aos pés do castelo podemos admirar toda a beleza de Toledo, as colinas e o rio que emolduram o velho centro da cidade. Um visual que me fez lembrar os quebra-cabeças de mil peças. Fascinante.

Estava próximo da hora de voltar e após horas e horas de caminhada, queríamos descansar os pés. Então voltamos pra praça Zocodóver pra comer e beber. No caminho encontramos uma estátua de Miguel de Cervantes (autor de Dom Quixote), pois - como assim não falei disso ainda! - Toledo é a capital de La Mancha e, embora não tenha os famosos moinhos de vento celebrizados na obra de Cervantes, faz parte oficialmente da rota de D. Quixote.

Eu e o Miguel de Cervantes.


Já na praça Zocodóver, hora de descansar e tomar uma gelada. Então Juju foi atrás de uma comida típica da região, um tal de marzipã, um doce de origem árabe feito com amêndoas meio estranho que mordisquei e de pronto ignorei. haha Ficamos jacarezando na praça, olhando os turistas sentados num banquinho e esperando o ônibus. E quase perdemos o horário. Nosso trem partia pra Madrid às 18h30, mas o último buzão pra estação era bem antes, às 17h15. Por sorte fomos caminhar pra descobrir o local exato do ponto de ônibus e vimos o último horário. Muita sorte!

Como o chegamos na estação de Toledo muito antes do horário, tentamos antecipar o trem, mas sem sucesso fomos obrigados a esperar bastante. Cansados, mas felizes, era hora de voltar à Madrid e continuar nossa saga com uma certeza em mente: Toledo é legal pra caraleo!

Mais sobre a viagem:
Dias 1 e 3: Madrid, quando pisamos na Europa.
Dia 2: Toledo, quando encontramos a Idade Média.

Let’s Rock! Manic Street Preachers - Your Love Alone Is Not Enough (tocou em alguma loja quando perambulávamos pela cidade e eu pensei “tá tocando manics, pô, q massa”)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

30 anos e 49 dias

22 de fevereiro de 2013 parece até um dia normal, mas quando meu pai atingiu exatamente a idade que eu tenho hoje (30 anos e 49 dias), eu nasci.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

This Must Be The Place

Ontem vi um filme sobre um desajustado que num certo momento da vida resolveu seus problemas psicológicos e decidiu deixar a felicidade entrar. Basicamente, o protagonista deixa de ser uma criança deprimida, que vive preso no passado, e transforma-se num adulto responsável e feliz. O ponto chave da história é o encontro e desabafo com David Byrne, líder do fantástico Talking Heads. O nome do filme é o título de uma música da banda, This Must Be The Place, que numa tradução livre poderia ser Este Deve Ser O Lugar ou Este É O Meu Lugar.

O filme nem é tão bom, pelo contrário, na verdade o filme é fraco, mas me fez pensar na música e nas mudanças que a vida nos acomete. E aí eu percebi a besteira que venho fazendo desde o falecimento do meu querido Ninão. Confundi - e ainda confundo - a dor filha da puta pela ausência do meu pai com uma impossibilidade de ser plenamente feliz. Num exemplo prático, estou defronte ao Coliseu em Roma e penso “como posso estar tão feliz aqui se meu pai faleceu”. Noutro exemplo, Palmeiras campeão na minha frente e eu penso “como posso estar tão feliz aqui se meu pai faleceu”.

Não é fácil viver com isso em mente. É um erro brutal, pois acabo culpando meu pai. E, definitivamente, ele não tem culpa se eu fico com frescura evitando ser feliz demais. Preciso mudar um pouco, como fez o tal protagonista do filme, pra sentir a dádiva da felicidade plena. Afinal de contas, é provável que um dia eu tenha um filho, o neto dos meus pais, e seria extremamente injusto - com todo mundo - deixar de ser feliz pra caraleo.

16 de fevereiro de 2013, um ano e meio sem meu pai.




Let’s Rock! David Byrne - This Must Be The Place

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dias 1 e 3: Madrid, quando pisamos na Europa.

textos das aventuras pelo velho continente, dia a dia, cidade por cidade.
pra não esquecer dos detalhes e quem sabe ser útil para viajantes.


A entrada na Europa estava cercada de mistério. O passaporte da Juju venceria em menos de seis meses e o histórico de brasileiros barrados em Madrid - por esse e outros motivos - é um pouco assustador. Juju estava absolutamente histérica e ansiosa desde Guarulhos, e a chuva forte – e o consequente atraso - em São Paulo só fez aumentar o drama. Viajamos com isso em mente e mudamos até a mão da aliança na hora da entrevista na alfândega. Porém, todo o medo que tínhamos caiu por terra em 5 segundos com o bom humor e simpatia do agente que nos entrevistou (a receptividade deles mudou bastante qdo o Brasil endureceu a entrada de espanhóis). Após uma pequena sequência de perguntas, o tiozinho bigodudo desejou feliz aniversário pra Juju e nos liberou. É nóis na zooropa!

Chegamos, Europa!

Andamos mais ou menos 30 minutos perdidos dentro do aeroporto de Madrid (Barajas) até encontrar o metrô. A rodinha da mala não funcionava direito e arrastar aqueles 15 quilos por uns 3km depois de viajar por 12 horas num avião apertado é uma experiência que qualquer viajante pre-ci-sa evitar. Já adianto que esse foi o único aeroporto da viagem que nos fez sofrer, portanto recomendo estudar o mapa dos terminais pra evitar esse desgaste.

Chegamos ao metrô e a primeira interação com os espanhóis aconteceu. Num ponto de informações turísticas, compramos o ticket (€5/pessoa) pra nos levar ao centro e ganhamos um mapa da parte turística da cidade. Com um atraso de pelo menos duas horas, era hora de finalmente começar a viajar.

Calçadão entre o hotel e a Plaza Puerta del Sol.

Chegamos à estação Sevilla e trezentos metros nos separavam do querido Hotel Regina, o primeiro ninho de amor da viagem hahaha. Fizemos o check-in, averiguamos às instalações do hotel (chique no úrtimo), largamos as malas e vazamos rumo à Plaza Puerta del Sol, seguindo nosso elaboradíssimo roteiro.

A primeira impressão da praça mais movimentada de Madrid foi um pouco brochante. Vimos o tal urso, a estação de metrô, o início das ruas repletas de lojas e o fantástico El Corte Inglês, um misto de supermercado e loja de departamentos. Nem 10 minutos depois já estávamos em direção à Plaza Mayor. Trôpegos de fome, faturamos o clássico sanduíche de jamon (um presunto cru típico da Espanha) com fanta laranja na caminhada de poucos quarteirões. A Plaza Mayor é grande e retangular, cercada por prédios com fachadas parecidas e com ruas nos quatros cantos, o quê dá a impressão de estádio. Curti pacas. Fomos às quatro pontas da praça. Em uma delas as pessoas bebiam cerveja durante a tradicional siesta após o almoço. Em outra ponta, saímos da praça em direção ao Palacio Real (também conhecido como Palacio Oriente) e encontramos o belo Mercado de San Miguel. A sede apertou e iniciei os trabalhos etílicos com uma Cruz Campo. haha Continuamos nossa andança e logo chegamos ao Palacio Real (é tudo muito perto mesmo) e à Catedral de Almudena. O primeiro visual de “putz, estamos na europa de verdade”. Muitas fotos nos portões do Palácio e da Catedral. Depois de um tempinho seguimos nosso roteiro e contornamos o Palacio Real pelo calçadão passando pela Praça Oriente até encontrarmos uma parte dos Jardins Sabatini. Coisa linda de se ver. Tudo em menos de duas horas. A parte de Madrid que interessa de fato não é muito longa e dá pra completar o circuito a pé.

Palacio Real

Saímos do Palácio Real em direção à Gran Via, a broadway espanhola hahaha, rua repleta de lojas e teatros de todos os tipos e preços. Era véspera de natal e os arredores estavam superlotados. Muito longe de uma 25 de março, mas não menos apertado que os shoppings. Entramos na Zara pra ver se era diferente (igualzin aqui). E na Lefties, o outlet da Zara - muito barato. Já que era caminho pra voltar ao hotel, descemos toda a Gran Via até o Edifício Metrópolis, grande marco da cidade. Era hora de jantar e o frio apertava, então voltamos ao El Corte Inglês da Plaza Puerta del Sol pra comprar umas baguetes e aproveitar o preço dos vinhos. Aí sim enfrentamos um aperto digno de 25 de março. Crise espanhola?, não sei onde. Depois foi só voltar pro hotel, descansar da longa viagem transatlântica e nos preparar para conhecer Toledo (passamos o segundo dia inteiro em Toledo. É a cidade mais bonita que eu já na vida, disparada. É tão bonita que parece um filme. E portanto merece um post especial que publicarei em seguida. Ou seja, vamos pro terceiro dia, ainda em Madrid).

Acordamos e fomos direto para o estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabeu (€19/pessoa). Lugar onde brinca Cristiano Ronaldo. Onde já desfilaram Ronaldo, Roberto Carlos, Di Stefano, Puskas e Zidane, entre outras feras. É um deleite para os fãs do futebol. Falarei com calma sobre estádios em outro post, um assunto que certamente posso dedicar várias linhas hahaha Aqui, vale o registro que uma passagem por Madrid sem visitar o Santiago Bernabeu é um crime, pois se trata de um dos pontos mais famosos e historicamente importantes da cidade. Ficamos mais ou menos duas horas entre gramado, vestiários, escadarias, camarotes, museu e loja. No mesmo dia, bem mais tarde, teria um jogo beneficente com presença do goleiro Casillas, mas não dava pra esperar, uma pena.

Santiago Bernabeu

Saímos do estádio em direção ao museus, o Reina Sofia e o Museu do Prado. Antes, parada para o almoço. Escolhemos o Taberna Maceiras, um dos poucos restaurantes que colocamos no roteiro e conseguimos ir. Um dos mais bem votados no TripAdvisor, o Maceiras não decepcionou. Ambiente rústico, mesas antigas, panela de barro e vinho em tigela. Faturamos uma paella num panelão de dar gosto, bebi cerveja e vinho. E não ficou caro, preço justo, uns €30 no total pros dois. Vale uma consulta no TripAdvisor pra se atualizar dos preços e condições.

Após o almoço, rumamos ao Reina Sofia (de graça aos domingos) e Museu do Prado (de graça aos domingos das 17h às 19h para ver coleções permanentes). Entramos no Reina Sofia antes, sem fila e sem multidões, uma certa aglomeração apenas próxima ao Guernica, clássico de Picasso e quadro mais famoso do museu. Nos divertimos bastante nas tentativas de camuflar uma fotografia da Juju na frente do Guernica. Altas emoções. O elevador panorâmico é bem legalzão e o banheiro é limpo hahaha. Destaque para obras de Joan Miró (Homem com Pipa), Salvador Dalí (Grande Masturbador) e Alexander Calder (Carmen).

Juju fazendo pose defronte ao Reina Sofia

Caminhamos menos de 1km pela linda rua Paseo del Prado, diante dos portões do Real Jardim Botânico até chegar ao Museu do Prado. Ficamos esperando o museu abrir os portões às 17h (horário de entrada gratuita), estava sol e aproveitamos pra jacarezar, tirei até uma soneca nos bancos da Plaza Murillo, onde fica uma entrada secundária do museu e a fila é muito menor. Juju estava ansiosíssima para ver "O Jardim das Delícias" (Bosch/El Bosco) e "As Meninas" (Velázquez) - esses dois quadros eu lembro BEM e são muito bacanas até pra quem não saca bulhufas de arte, vale clicar, ampliar a imagem e ver os detalhes. Também há uma coleção imensa do Goya (página especial do Museu só pro Goya), do El Greco e do Dürer. Tive a nítida impressão de “museu de filme”, com mil quadros de vários tamanhos em paredes brancas amplas, tudo muito silencioso e ambiente clássico. Fascinante.

Depois do dia cansativo, voltamos para hotel no mesmo esquema dos outros dias: El Corte Inglês para pães, queijos e vinhos. Era preciso descansar bastante, pois no outro dia bem cedo pegaríamos o trem para... Barcelona!


Mais sobre a viagem:
Dias 1 e 3: Madrid, quando pisamos na Europa.
Dia 2: Toledo, quando encontramos a Idade Média.

Let's Rock! Uncle Tupelo - New Madrid

domingo, 20 de janeiro de 2013

Seleção do mundo: Xabi Alonso e mais dez

Se eu fosse treinador da seleção de futebol do mundo inteiro, não teria dúvidas pra organizar o meio-campo. Xabi Alonso, volante de marcação do Real madrid e da seleção espanhola, é fã de Wilco!

Xabi Alonso, CR7, Messi e mais oito.

--------------------Casillas/Neuer---------------------
---------------T Silva----------S Ramos--------------
---D Alves-------------------------Lahm/Marcelo---
----------------------X Alonso-------------------------
--------------Xavi-----------------Iniesta--------------
---Messi-------------Rooney-----------C Ronaldo---

Let's Rock! >>> Wilco - Bull Black Nova

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A Viagem das Nossas Vidas (part1)

(Quando voltarmos da viagem, publico na íntegra o roteiro super detalhado que produzimos e vamos levar para tentar seguir. Além de impressões sobre cada cidade. De repente pode ser útil pra quem for viajar e estiver pesquisando pela internet. Até porque roteiros de outros malucos foram de grande valia pra gente. Então, por enquanto, uma prévia da nosso epopéia!)

KD DIA 20?!?

Em janeiro deste ano decidimos enfrentar uma grande aventura. A idéia é (muito) antiga, mas para transformar desejos em realidade é preciso coragem. E a verdade é que demoramos pra criar coragem, mas pouco antes do carnaval nos demos um ultimato e conversamos seriamente sobre “ir pra europa em dezembro”. Afinal de contas, quanto mais velho, mais dificuldade e menos inconsequência. E daqui a pouco pode aparecer um pimpolho, nunca se sabe, então o fator agora-ou-nunca foi representativo na decisão.

será que vamos ver uns artista famoso?
E aí a história ficou séria de vez e fomos numa agência pesquisar um roteiro financeiramente cabível. Para isso, teríamos que seguir algumas premissas básicas: fazer valer a longa viagem (ou seja, passear por no mínimo 15 dias) e conhecer pelo menos Paris e parte da Itália.

Chegamos na agência de turismo e o cenário pareceu positivo, porquê a antecedência absurda que planejamos possibilitou um parcelamento em várias vezes. E o manual-do-turista-consciente diz, a gente sempre soube, é fundamental sair de viagem com passagens e hospedagem já quitadas.

Eis que partimos, portanto, para a definição do roteiro. É aí que mora o perigo, muito fácil cair em tentação. A vontade é conhecer tudo e viajar três meses inteiros (hahaha), mas a gente precisa fazer concessões se não quiser morrer de fome.

Bom, como a viagem seria para dezembro (férias), enfrentaríamos inverno, luz do dia até 17h30, neve e - olha que chique - o sacrifício de passar nossos aniversários e reveillon lá na zooropa. Viludo demais. Porém, neve e avião não combinam. E optamos por viajar apenas no sul da Europa (menos frio) e de trem (pra evitar vôos), mas, lógico, dar um jeito de ver Paris.

Então chegamos no primeiro roteiro (que, óbvio, sofreu mudanças): Madrid, Barcelona, Paris, Nice/Marseille/Cannes/Mônaco, Roma, Firenze, Veneza, Verona e Milão. Caímos na realidade logo e percebemos que o belíssimo sul da França (Nice/Marseille/Cannes/Mônaco) não cabia no bolso.

E poucos dias depois chegamos no roteiro final e poderíamos começar a pagar as parcelas: Madrid, Toledo, Barcelona, Paris, Roma, Firenze, Veneza, Verona e Milão. A viagem seria só em dezembro, mas a partir de junho já começamos a viajar pelo Google Street View afim de pesquisar o melhor roteiro em cada cidade.

Eis abaixo, cidade por cidade, os pontos onde vamos passar, os principais motivos das escolhas e um breve histórico de cada local ou monumento. 

Madrid: o quê interessa aqui é o estádio do Real Madrid. E um tal Museu do Prado, dizem. :) Vamos visitar outros lugares, lógico. E aproveitar a crise espanhola pra ver se tem umas roupas baratas.

Park Guell viludíssimo
Barcelona: o quê interessa aqui é o Gaudi. Achou que eu falaria do Messi, né? Mas, acredite, a cidade é tão maravilhosa e cheia de belíssimos locais pra conhecer que eu, um lunático por futebol, deixei o Barça de lado e vamos atrás da Casa Milà, Park Guell e Barri Gòtic, além da grande ansiedade para ver a Sagrada Familia.

Paris: aqui o quê interessa é... a cidade em si. Estar em Paris é o quê vale. E aproveitaremos o ensejo pra ver a Torre Eiffel, Museu do Louvre, Arco do Triunfo e outros lugarzin má-ô-meno. Paris é sem noção de tão bonita, dizem. A conferir.

Papa JP em olhar malandrão
Roma: aqui o quê interessa é História. Com H maiúsculo. Roma é o berço da civilização, um museu a céu aberto. E todos aqueles clichês. Coliseu e toda parte antiga deve ser de cair o queixo. E vamos dar uma passadinha no Vaticano e, senão tiver muita fila, entraremos na Capela Sistina.

Firenze: aqui é a terra dos tartarugas ninja. Ou do renascentismo, como preferir. Michelangelo, Donatello, Raphael e Leonardo, entre outros, foram sustentados por uma família rica de Firenze (os Medici, só pra constar), e as principais obras desses artistas estão espalhadas pela cidade.

Veneza: essa cidade parece um filme. Uma infinidade de ilhas e canais de uma beleza inigualável. Como se não bastasse, em Veneza fica a grande homenagem ao maior jogador da história do Palmeiras: a Basílica de São Marcos.

Julieta-ta-ta tá me chamando
Verona: aqui é puro romantismo, pois uma parte da história de Romeu e Julieta (aquela q o SBT refez com a Hebe de Julieta e o Golias de Romeu HAHAHA) se passa em Verona e a vila que é descrita por Shakespeare como moradia da Julieta é conservada até hoje.

Milão: aqui não há muito além da segunda maior igreja da Europa (Duomo) e o original da Ultima Ceia (pintado na parede de uma igrejinha bizarra). Aproveitaremos pra visitar o estádio que o Milan e a Inter dividem antes de vazar pro aeroporto e voltar pro Brasil.

Let's Rock!  Kraftwerk - Trans Europe Express / Suede - Europe Is Our Playground

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

(Então vamos chorar, já tô avisando). Havia um círculo em volta do meu pai, muita gente orando e chorando - eu inclusive - e o padre terminando a prece quando criei coragem pra falar o quê estava pensando...

“...aproveitando que o padre falou em família... meu pai gostava de repetir uma frase famosa que muitos devem conhecer e que sempre norteou nossa família: ‘tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas’...”

E não fui capaz de empostar a voz pra continuar como meu pai gostaria, mas me surpreendi por conseguir simplesmente falar. Então tentei não ouvir quem segurava o choro pra explicar o significado da frase em nosso dia-a-dia e não perder o raciocínio daquele discurso. Continuei com mais algumas palavras provavelmente desconexas (porque, não havia maneira, ouvi muita gente chorando e me emocionei também) e quase certeza que não consegui explicar bosta nenhuma.

Até que, sabe-deus-como, consegui trazer a “narrativa” àquilo que escrevi anos atrás e fez meu pai me telefonar pra agradecer. Então estendi as mãos nos ombros do Michel e da minha mãe pra dizer:

“Meu ídolo, nosso ídolo; meu espelho, nosso espelho; meu confidente e conselheiro, nosso confidente e conselheiro; meu amigo, nosso amigo; meu Deus, nosso Deus; meu pai, nosso pai...”

Não sabia o quê fazer, como terminar o quê havia começado, perdido naquele discurso improvisado e emocionado. Ele já havia ficado muito-muito-muito emocionado e orgulhoso com essas palavras há uns três ou quatro anos. Decidi repeti-las naquele momento, pra quem pudesse ouvir, pra que de alguma maneira meu pai pudesse ouvir pra ficar orgulhoso do sentimento que consegui (ou quase) externar em nome da nossa família. Então encostei a mão esquerda no ombro direito dele, como se pedisse ajuda pra ele me salvar pq eu não sabia mais o quê fazer com aquele monte de gente me olhando, e soltei um “descanse em paz, pai...”


Hoje meu pai faria 60 anos. Meu Deus do céu.

"Éramos seis" com Vovó Melcina.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

All you need is love

00h46. Mãe, pai e Michel, há 1 ano, os momentos mais difíceis das nossas vidas. E uma certeza pra amenizar a dor de toda a família: o amor nos mantém juntos. Ontem, hoje e sempre.

Chácara Sossego, Urânia, em 2007.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

As minhas músicas preferidas dele

Sempre que eu penso em algumas músicas minhas que meu pai gostava, as primeiras que logo vem a cabeça são "O Pouco Que Sobrou", do Los Hermanos, e "Caras Como Eu", do Titãs. Meu pai sempre fez questão de ignorar músicas em língua estrangeira porque não entendia as letras e essas duas músicas dizem muito sobre o estado de espírito dele em uma determinada época da nossa vida.

"Caras Como Eu" é do Titãs pós-megasucesso do Acústico MTV. A gente morava não havia muito em Curitiba e ele aceitava ouvir as músicas do Titãs que eu gravava em fita k7. Então se interessou pelo Acústico 2 na época do lançamento e percebeu essa música. Ele ouvia como se a música fosse sobre ele.

"O Pouco Que Sobrou" dizia tudo que meu pensava mas não tinha coragem de dizer, quando voltaram de Curitiba para Jales/Urânia com a autoestima nos calcanhares. Quando eu mostrava as minhas músicas e ele ignorava a imensa maioria, essa fez ele pedir pra repetir. Nada mais sincero e lírico.

Sinto saudade pra caraleo e não sei o quê dizer.

'chácara sossego'


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Eu, meu irmão, meu pai e o Palmeiras!

Não queria escrever sobre isso porque eu penso e choro. Mas o Palmeiras é campeão, porra. Deixa eu me emocionar.

Paixão por um time de futebol tende a ser de pai pra filho. E meu pai sempre gostou muito de esporte, sempre gostou de futebol e sempre foi palmeirense. Diz a lenda que meus primos Zélu e Juninho (hoje chamados de Ferrari e Celsão) são palmeirenses por conta dele. Por óbvio, eu e o Michel também não escapamos: somos torcedores do Palmeiras.




Minha mãe sempre lembra das tardes de domingo vendo esportes na TV Bandeirantes. Eu lá com meus poucos anos deitado no tapete da sala com meu pai vendo qualquer coisa esportiva. Cresci vendo Palmeiras ao lado dele. Michel nasceu logo que eu fiz 9 anos e passamos a ser três homens defronte à TV com minha mãe vindo checar o motivo dos gritos. Cresci assim. Aprendi a gostar de futebol assim. 

E meu pai nunca foi muito fanático. O Michel é super parecido com ele nesse sentido. Os dois gostam muito do Palmeiras, choram, vibram, xingam, mas sem saber o nome, idade e procedência de todos os jogadores. Eu sou mais bizarro, mas longe de ser fanático como vários entre os 15 milhões de torcedores do Palmeiras.

Lembro perfeitamente de ostentarmos nosso palestrismo nas carreatas por Urânia em 93 e 94. 96! 98! Em 1999 choramos juntos, o Michel nem lembra, era novinho. Até hoje eu acho que perdemos a Libertadores 2000 porque assistimos ao último jogo separados (já morávamos em Curitiba e meu pai tinha viajado pra Urânia). Em 2001 o Muñoz fez um gol numa Libertadores e eu berrei tanto que o Michel chorou de medo, o suficiente para lembrarmos disso pelo resto da vida. E depois disso a vida nos levou para casas separadas (os filhos crescem, acontece) e o Palmeiras - coinciência ou não - não fez muito além de uma série B, um Paulistinha e poucos grandes jogos, como aquele petardo do Cleiton Xavier na Libertadores de 2009 - a gente comentou muito sobre, mesmo morando longe.


E eis que ontem o Palmeiras foi campeão, o primeiro título após meu pai falecer. Eu e o Michel choramos muito no gol e no apito final. Chorei umas cinco vezes durante a partida, entre orações pro Palmeiras ganhar e pedindo pra meu pai dar uma força e torcer também. Como se ele pudesse me ouvir, como se ele estivesse ali conosco. Talvez estivesse mesmo, quero acreditar.

Vou parar porquê já perdi as contas de quantas vezes chorei. 

Ganhamos, pai. Ganhamos!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Box Full Of Letters

“I just can't find the time
to write my mind
the way I want it to read.”
- Jeff Tweedy

Box Full Of Letters, A.M., Wilco.


domingo, 27 de maio de 2012

London, day 1: “all the umbrellas in London couldn't stop this rain”


Acordei atrasadaço e com a cabeça pesada depois de tomar todas aos pés da Catedral de Colônia em meu último dia na Alemanha. Corri pro aeroporto de Dusseldorf com medo de perder o avião. Cheguei em Londres depois de um vôo conturbado, sinais de uma ressaca de razoável intensidade que perdurou nas primeiras horas em território inglês. Aportei no aeroporto de Gatwich, 50km ao sul de Londres, perto das 10h. Uma fila gigante na imigração, onde fui questionado ferozmente por quase 10 minutos e temi pelo pior, mas consegui passar. Então era preciso pegar um trem para Victoria Station, já no centro de Londres e nas proximidades do Palácio de Buckingham. Peguei minhas malas e me perdi um pouco até encontrar onde comprava o ticket do Gatwich Express. O trajeto é num trem meio high-tech demais e demora uns 20 minutos numa paisagem que varia entre campos encharcados e casinhas Wallace & Gromit. Chegando em Londres tive a impressão de rapidamente ver o Big Ben, mas não posso afirmar com certeza. Desci do trem e fiinalmente me dei conta de onde o filho do Nino e da Márcia estava: caralho, cheguei em Londres! Dois mil anos de civilização nessa porra! London! Lon-don, cêis tão ligado?!?

Victoria Station
Fiquei uns bons dez minutos olhando pra todos os lados da Victoria Station. Comprei e carreguei um Oyster Card (cartão pro transporte público), comprei um sim card da Vodafone (internet pro meu google maps!), tomei uma Fanta (bem menos laranja que a brasileira) e comi um McDonalds qualquer. E só então decidi sair pra enfrentar a cidade e tentar encontrar o ponto de ônibus que me levaria pra próximo do hostel. Que cidade linda, meuzamigo. Impressionante. Na porta da Victoria Station já vi o teatro do Billy Elliot (foto aqui) hahaha. E obviamente demorei pra encontrar o ponto de embarque olhando tudo e todos, mas o busão de dois andares estava me esperando. Entrei e subi pra primeira poltrona do segundo andar, pra ver Londres de camarote.

All Souls Church
Meus mapas estavam certos e quando o ônibus C2 passou pelo monumento All Souls Church eu sabia que estava chegando no hostel. Então o busão saiu da Portland St e desci no ponto seguinte para ir ao YHA London Central. Aqui cabe uma nota: Obrigado, Bala! A dica do meu grane amigo foi realmente sensacional. O hostel é barato, seguro, extremamente amigável e super bem localizado (perto dos pontos turísticos e dos botecos!). Fica a dica pra quem pretende viajar gastando pouco. Continuando, rasguei meu inglês na recepção até descobrir que a moça era uruguaia e falava português. Daê eu tava em casa. Fiz umas piadas e fui pro quarto deixar as malas e tomar banho. Nesse ponto, meu cronograma já estava mais ou menos três horas atrasado. Uma beleza. Pra ajudar, demorei pra entender como esquentava a água do chuveiro. Bom, de banho tomado, era hora de explorar a cidade.

Turista? Sim ou com certeza?
Vazei em direção à Piccadily Circus, Trafalgar Square e à National Gallery. Aluguei uma bike pública por 1 libra e desci a Portland St no meio dos carros naquele trânsito invertido. E os motoristas respeitam os ciclistas! Cabe dizer que os ciclistas – pasmem – respeitam as leis de trânsito! Passei pelo All Souls Church e a avenida se transformou em Regent St (mapas certos, uhu!). Antes de chegar na Trafalgar Square, começou a garoar e coloquei a bicicleta na estação perto da Piccadilly Circus praa comprar uma capa e chuva e então dei os primeiros passos realmente turísticos. Com a chuva, o vento e o frio aumentaram bastante. E eu com ressaca ainda. Comprei uma capa de chuva ri-dí-cu-la e as pessoas ficavam rindo desse turistão que vos fala. Descobri que estava na direção errada após caminhar três quarteirões e a garoa, pra ajudar, virou chuva forte. Aí, na mais pura sorte, encontrei o Café Brazil. Comprei uma Guaraná Antarctica, recarreguei as energias, a chuva parou e perguntei pra que lado era a porra da Trafalgar Square.

No caminho entrei na National Portrait Gallery achando que era a National Gallery. Perdi uns 20 minutos. Saí de lá meio puto e finalmente achei a bendita Trafalgar Square. Véi, que bonito. Tirei um bilhão de fotos. Na ponta da praça, de frente pro monumento ao Almirante Nelson com a National Gallery de fundo, viro pra esquerda e vejo um portal fudidaço, lindo pra caraleo, chamado Admiralty Arch que, reparando bem, era o início do The Mall, e lá no fundo dava pra ver o Palácio de Buckingham. Que cidade linda! As pessoas ali pareciam não ter noção do privilégio de viver diante de tanta história. Virando mais um pouco pra esquerda, de costas pra Trafalgar Square, pra completar a embasbaquez, lá estava ele, impetuoso, o Big Ben! Sério, muito, muito legal. Pensei em entrar na National Gallery mas queria o audioguide em português pra entender melhor as obras, e naquela quinta-feira não estava disponível por algum motivo que não dei conta de entender hahaha então deixei pra ver noutro dia.


O Big Ben à esquerda, o Admiralty Arch e a Trafalgar Square com a National Gallery ao fundo.
Já estava ficando tarde, meu cronograma do primeiro dia já estava totalmente impossível de cumprir e não sabia o quê fazer. Aí resolvi atravessar o Admiralty Arch pra ver qualé. Fiquei com preguiça de caminhar até o Palácio de Buckingham (na verdade foi a força da ressaca e a vontade de ver logo o Big Ben) e virei à esquerda pra ver onde é realizada a Horse Guards Parade – a troca da guarda da rainha (não vi a troca, só vi onde é haha). Desci ladeando o belíssimo St James Park e cheguei perto de uns esquilos hahah até finalmente dar de cara com o Big Ben e todo o Palácio de Westminster. Tirei um quadrilhão de fotos imaginando a exploração praquilo ser construído hehe. Algumas partes da rua defronte ao Parlamento estavam fechadas e fui perguntar pro guarda o porquê. E a rainha - aquela da música do Sex Pistols! - tinha estado lá há poucas horas!!! Porra, nem pra véia me avisar. Então andei na frente de todo o palácio. Arquitetura absurda. E depois fui ver de perto a Abadia de Westminster - que fica do outro lado da rua -, onde casaram-se Willian e Kate e, mais legal ainda, onde estão enterrados Willian Shakespeare, Issac Newton e Charles Darwin (uia!). Cheguei lá bem no horário de saída da Evensong, uma missa com o coral da igreja. Estiquei o pescoço e consegui ver um pouco da parte de dentro. E eis que, de repente, 18h - o Big Ben badalou pra eu escutar. De arrepiar. Muita coisa passou pela minha cabeça. Um momento tão simples e com vários significados.

Westminster Abbey

Já estava na hora de começar o caminho de volta pro hotel e o frio apertava ainda mais. Caminhei às margens do Tâmisa um pouquinho, vi a London Eye e peregrinei em direção à Oxford Street, a rua das compras. Me perdi bonito enquanto olhava pros prédios, pras pessoas, pros Porsches, pra tudo. Meu chip da Vodafone e o Google Maps me ajudaram demais. Consegui achar a Oxford St e entrei numas duzentas lojas. Fui de uma ponta à outra. Olhei discos, calçados, roupas e comprei umas bugigangas. Já perto das 20h, num frio de rachar, depois de tomar chuva, vento, com os pés destruídos após quilômetros andando de allstarzinho, avistei uma Pizza Hut. Era no subsolo, bizarro. Desci uns quatro lances de escada até o restaurante. Grande e lotadaço. Comi descalço com um pé massageando o outro. Hahaha. Peguei um busão e voltei pro hotel afim de um banho. A night em Camden Town me aguardava.

No hostel perguntei sobre uma balada róque em Candem Town que o Jonas tinha me indicado. Uma festa estranha com gente esquisita no Proud Camden. Tomei um banho e coloquei o celular pra carregar enquanto descansava os pés. Conversei um pouco com o brasileiro (!) e dois senhores ingleses que estavam no mesmo quarto. E o cansaço bateu forte, o sono veio violento e não tive forças pra cair na náite. Uma lástima, praticamente um crime. Realmente não dava. Pelo menos eu estaria descansado pro segundo dia.

Olha o Big Ben escondido atrás da árvore.
 Let's Rock! >>> Sex Pistols - Never Mind The Bollocks (o álbum inteiro)